Os ensinamentos do filme Red sobre a puberdade

A puberdade é uma das fases mais importantes do nosso desenvolvimento social e cognitivo, por marcar a transição entre a infância e a adolescência, período em que estamos desenvolvendo as nossas capacidades físicas e mentais.

Caracterizada pelas transformações fisiológicas, biológicas e emocionais no nosso corpo, típicas desse estágio, a puberdade envolve uma série de fatores comportamentais que merecem atenção.

É por isso que os pais devem acompanhar de perto esse momento dos filhos, apoiando e compreendendo os dilemas naturais dessa fase, promovendo uma relação familiar mais próxima, o que é extremamente importante para a autoestima e a confiança do jovem.

É abordando as questões da puberdade que o mais recente filme da Pixar, intitulado “Red: Crescer é uma Fera”, levanta um debate extremamente válido para pais e filhos.

Entenda do que trata o filme e quais os ensinamentos que ele traz sobre o tema.

Desafios da puberdade

Em “Red: Crescer é uma Fera”, a garotinha chinesa Mei Lee, de 13 anos, vive com a família em Toronto, no Canadá, e se depara com o desafio de lidar com as próprias emoções nessa fase da vida.

Tendo que se dividir entre continuar sendo uma filha obediente e enfrentar os problemas de quem está transitando entre a infância e a adolescência, Mei Lee se transforma em um enorme Panda vermelho sempre que atravessa situações emocionais extremas.

O animal faz referência à cultura chinesa, bem como à pressão cultural exercida sobre as mulheres em algumas regiões.

As reações emocionais de Mei Lee se manifestam em alguns momentos críticos, como quando passa por mudanças corporais ou quando deseja romper padrões familiares, assim como nas vezes em que vivencia momentos de descoberta com as suas melhores amigas.

Como toda jovem comum, a garotinha chinesa passa pela puberdade lidando com experiências e sentimentos difusos e conflituosos, como tristeza, alegria, vergonha, culpa, dentre outros. Tudo isso implica em questões familiares, com as quais a jovem precisa enfrentar ao longo da história.

Núcleo familiar

No que diz respeito às relações familiares de Mei, o filme promove importantes reflexões.

O núcleo familiar da jovem é explorado sob a ótica de uma relação afetuosa e de apoio entre todos, embora haja uma superproteção materna e o receio de que haja um afastamento das tradições familiares por parte da garota.

Nesse sentido, “Red” retrata Ming, a mãe de Mei, como uma figura materna controladora dedicada a proteger a filha e perturbada com a realidade de lidar com a puberdade da jovem. Ao longo do filme, é possível perceber que a mãe age em negação frequente às emoções, resistindo ao processo de amadurecimento da filha.

Trata-se de um comportamento comum em muitas famílias reais, quando os pais tentam negar o fato de que os seus filhos estão amadurecendo e deixando de ser crianças.

No filme, o contexto em que a adolescente faz parte, como a escola, a ajuda a fugir desse ciclo de incompreensão. No mundo real, o ideal é que os pais conversem com os seus filhos de uma forma natural durante a fase de crescimento deles, para que o processo de puberdade seja o menos doloroso possível para todos.

Independência

Uma das principais questões levantadas em “Red” é a necessidade e o desejo de independência dos pré-adolescentes.

No enredo, Mei deseja fazer coisas que não são aprovadas pelos seus pais, provocando muitas discussões e conflitos geracionais.

O ensinamento que se pode tirar disso é que os adolescentes precisam ter o seu espaço respeitado, visto que é típico dessa etapa de desenvolvimento que os jovens busquem mais liberdade, pois estão formando as suas personalidades e descobrindo os seus próprios desejos, medos e angústias.

Aceitação

A principal lição deixada pelo filme é de que os pais precisam entender e aceitar a evolução dos seus filhos como algo natural e saudável, que será positivo para o desenvolvimento deles.

Ser empático e ter compaixão com a jornada de amadurecimento do seu filho é algo que deve ser motivo de orgulho para os pais, que podem testemunhar a construção de uma nova identidade, com todas as alegrias e dores que ela traz.